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Visconde de Soutello

    

Vsiconde de Soutello

                         Manuel José Gomes, Visconde de Soutello.

 

    Uma inscrição no pilar de pedra à direita do portão do Cemitério Paroquial de Pousa, no Concelho de Barcelos, Província do Minho, regista com as abreviaturas C.OR M.EL J. GOMES o nome de Manoel José Gomes, já então comendador da Ordem de Cristo (1891) e, mais tarde (1908), Visconde de Soutello, nascido naquela  freguesia, em 21 de fevereiro de 1839.

    Manoel José Gomes era o filho caçula de Feliciano Dias Gomes e de Andreza Maria, nascida Lopes, moradores em Pousa, neto paterno de Manoel José Gomes e de Luísa Dias e neto materno de Inácio Francisco Lopes e de Mariana Luísa da Silva.

    Havendo perdido os pais quando ainda muito novo, foi criado pela irmã mais velha, Ana, casada com Luís Lopes Leal. Por volta de 1851, foi morar no Porto, na casa de um amigo da família, José Antonio de Freitas Junior, em cuja firma, que ficava na Rua das Flores, ingressou como aprendiz de comércio e do qual recebeu de presente sua primeira gravata, símbolo de que havia concluído o aprendizado. 

Embarcou então em um navio a vela, com destino ao Rio de Janeiro, onde chegou em fevereiro de 1856, com o propósito de trabalhar lá com o irmão José Gomes, que já era comerciante estabelecido na Rua das Violas. Esses planos não se concretizaram porque José, que ele encontrou muito doente, morreu de febre amarela logo após a sua chegada.

    Manoel José aceitou, então, o convite de Zeferino da Costa Guimarães, sócio da firma importadora Júlio Guimarães & Irmão, para radicar-se na cidade de Amparo, surgida havia um quarto de século no interior da Província de São Paulo. Ao que tudo indica, Zeferino Guimarães sabia, quando fez esse convite, que seu irmão António Júlio da Costa Guimarães iria retirar-se da sociedade, a qual logo depois passou a ser Guimarães & Cia., tendo Manoel José como sócio muito minoritário.

    Trabalho duro e parcimônia já haviam feito dele o sócio nem tão minoritário da próspera Guimarães & Gomes quando casou, em 13 de fevereiro de 1870, com Constância de Sousa Aranha, filha do fazendeiro António de Sousa Mello e de Carolina Leopoldina Aranha, da poderosa família de latifundiários cafeicultores Sousa Aranha, à qual pertenceram por sangue o Marquês de Três Rios, o Barão de Itapura e o Barão de Anhumas, e por contraparentesco o Visconde de Rio Claro e o Barão de Itapetininga.

    Dos vários filhos desse casamento, chegaram à idade adulta apenas dois, Amadeu Gomes de Sousa e Carlos Gomes de Sousa. Carolina Gomes de Sousa, lembrada como sendo de rara beleza, morreu entre a infância e a adolescência. Os demais (José, um segundo José e um primeiro Amadeu) morreram em tenra idade.

    Viúvo em 14 de fevereiro de 1889, Manoel José voltou a casar, em 31 de janeiro de 1890, com Olympia da Costa Guimarães, filha de seu recém-falecido sócio Zeferino da Costa Guimarães, comendador da Ordem de Cristo, e de Augusta Leopoldina Martins, neta paterna de Bernardo José da Costa Guimarães (10.04.1778 – 25.02.1851), comerciante em Penafiel, na Rua Direita do Paço, e de Luísa Máxima da Motta Barbosa (22.11.1801 – 09.08.1851), e neta materna de José Martins de Siqueira, de Jacareí, e de Josefa Maria da Conceição de Godoy, de Bragança, esta última descendente de Martim Afonso de Sousa, vice-rei da Índia e, no Brasil, capitão-mor donatário da capitania de São Vicente, o qual por sua vez descendia de Martim Afonso, o Chichorro, filho extraconjugal de el-rei Dom Afonso III.

    Deste segundo casamento, teve mais quatro filhos, Alice, Olympia, e os gêmeos Manoel Carlos e Manoel Amadeu, os quais acrescentaram ao nome de família o título do pai, assinando todos eles Gomes de Soutello.

    Com a morte de Zeferino Guimarães, em 27 de setembro de 1889, Manoel José liquidou a firma Guimarães & Gomes, assumindo um cargo de diretor na Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, fundada em 1872 por António de Queiroz Telles, Conde de Parnaíba, e pelo Coronel Joaquim Egydio de Sousa Aranha, com participação acionária considerável de Zeferino Guimarães, que mais tarde foi vice-presidente da empresa, e dele próprio Manoel José.

    Cerca de um ano depois, em 1890, foi um dos fundadores do Banco Industrial Amparense, no qual assumiu o cargo de diretor comercial.

    Paralelamente às atividades comerciais, Manoel José Gomes atuou durante muitos anos como vice-cônsul de Portugal em Amparo e como presidente do Grêmio Português de Beneficência de Amparo, fundado em 1892. O carinho que sempre conservou pelo Portugal de seus ancestrais levou-o a fazer doações significativas a várias instituições beneméritas, como a Santa Casa de Misericórdia de Barcelos, e a várias campanhas de socorro a vítimas desta ou daquela catástrofe, uma das quais no Minho. A mais inusitada dessas campanhas foi uma subscrição aberta por ele, com quinhentos mil réis, em 1897, para ofertar a Portugal nada menos que um navio de guerra, por ocasião do quarto centenário da descoberta do caminho marítimo para as Índias.

    Por essas e outras, el-rei Dom Carlos I fez dele Visconde de Soutello, o último título de nobreza concedido em Portugal, sendo o respectivo diploma assinado já por el-rei Dom Manoel II.

 

         

                Diploma de Visconde, assinado pelo Rei D. Manuel II.

   

     A par disso tudo, Manuel José sempre amparou financeiramente a irmã Ana e o cunhado Luís Lopes Leal, que foram praticamente os seus pais, parecendo razoável supor que, por intermédio deles e de seus descendentes, haja contribuído para obras de interesse público em Pousa, onde nasceu. A inscrição no portão do Cemitério Paroquial não deixa dúvida a respeito.

    É em outro cemitério entretanto, no de Amparo, cidade onde passou quase toda a vida, que o Visconde de Soutello foi sepultado, em 19 de novembro de 1911.

 

 

BIBLIOGRAFIA

 

CINTRA, monsenhor António Paes. Genealogia dos Cintras. São Paulo, s.d., p. 145,151 e 152.

 

GODOY, Jorge Pires de. Visconde de Soutello. Almanach do Amparo, 1909, p. 313 e 314.

 

LIMA, Roberto Pastana Teixeira. Manuel José Gomes. Disponível na Internet, no endereço www.museu-emigrantes.org/Manuel_Jose_gomes.htm

 

SOUTELLO, Luiz Haroldo Gomes de. Apontamentos sobre a genealogia do Visconde de Soutello. Revista Genealógica Latina, v. XVIII-XIX, p. 67 e 68.


 

Alterações no Executivo da Junta

 

Alterações na Assembleia de Freguesia

 

Mensagem do Presidente